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SEM O DINHEIRO, SEM A VISÃO: família de lavrador cobra repasse de indenização enquanto mulher enfrenta risco de perder a visão

SEM O DINHEIRO, SEM A VISÃO: família de lavrador cobra repasse de indenização enquanto mulher enfrenta risco de perder a visão

Por Redação

01/10/2026 às 18:56

Imagem de SEM O DINHEIRO, SEM A VISÃO: família de lavrador cobra repasse de indenização enquanto mulher enfrenta risco de perder a visão

Foto: Foto: Reprodução


Ana Maria, de 64 anos, enfrenta catarata grave e precisa de tratamento estimado em R$ 10 mil. Marido afirma não ter recebido sua parte de indenização judicial de aproximadamente R$ 314 mil. Caso está na Justiça e também será apurado pela Polícia Civil; advogado citado nega as acusações.

Aos 64 anos, Ana Maria enfrenta uma corrida contra o tempo para cuidar da visão. Segundo relato da família, ela foi diagnosticada com catarata grave nos dois olhos. Um deles já estaria bastante comprometido, enquanto o outro apresenta dificuldade para enxergar.

De acordo com a família, há indicação médica de tratamento com possibilidade de recuperação da visão. O procedimento particular teria custo estimado em cerca de R$ 10 mil, valor que atualmente pesa no orçamento familiar. Os parentes afirmam que, até o momento, não conseguiram viabilizar o tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Em meio à preocupação com a saúde de Ana Maria, outra situação angustia a família. O marido dela, o lavrador Erenilton Santos Nascimento, afirma ter valores a receber decorrentes de uma indenização obtida judicialmente, mas sustenta que sua parcela ainda não lhe foi repassada.

O caso envolve o advogado Mateus Nogueira, responsável pela ação. Erenilton questiona a destinação dos valores e buscou a Justiça e a Polícia Civil para esclarecer o que ocorreu.

O advogado citado nega as acusações.

PICADA DE JARARACA DEU ORIGEM À AÇÃO

A indenização tem origem em um acidente sofrido por Erenilton durante o trabalho rural.

Segundo o lavrador, ele foi picado por uma cobra jararaca enquanto trabalhava na roça. O acidente teria provocado consequências que comprometeram sua capacidade para continuar exercendo normalmente suas atividades profissionais.

A partir do episódio, foi ajuizada uma ação contra uma seguradora.

Conforme informações e documentos apresentados à reportagem, houve decisão favorável ao lavrador em 4 de novembro de 2025, envolvendo indenização de aproximadamente R$ 314 mil.

Erenilton afirma, porém, que não recebeu a parcela que entende lhe ser devida após a conclusão da ação.

Segundo seu relato, ele só tomou conhecimento do desfecho do processo depois de procurar pessoalmente informações no fórum.

A família afirma que, durante esse período, enfrentou dificuldades financeiras e chegou a precisar mudar de residência.

CONTRATO DE HONORÁRIOS É QUESTIONADO

Um dos pontos da controvérsia envolve o contrato de honorários advocatícios firmado para a condução da ação.

O documento apresentado à reportagem estabelece percentual de 45% a título de honorários. Erenilton, entretanto, afirma que acreditava ter acertado inicialmente o percentual de 30%.

O lavrador relata possuir baixa escolaridade e grande dificuldade de leitura e escrita. Segundo ele, o contrato teria sido assinado sem que compreendesse integralmente as cláusulas e o percentual nele estabelecido.

Essa é a versão apresentada por Erenilton e constitui um dos pontos que poderão ser analisados pelas autoridades e pela Justiça.

Mesmo tomando como referência o percentual de 45% previsto no documento apresentado, restaria, em cálculo meramente aritmético, o equivalente a 55% do valor considerado para a indenização.

A definição de quanto efetivamente cabe a cada parte, contudo, depende da análise dos autos, do contrato, de eventuais honorários, despesas, pagamentos e demais circunstâncias jurídicas relacionadas ao processo.

NOVO ADVOGADO BUSCOU ESCLARECIMENTOS

Diante da situação, Erenilton passou a ser representado pelo advogado Leite Matos Júnior, que afirma ter procurado esclarecimentos sobre os valores.

Segundo Leite Matos Júnior, houve tentativa de diálogo com Mateus Nogueira e uma reunião chegou a ser agendada. O encontro, porém, teria sido cancelado às vésperas da data marcada.

Essa informação corresponde à versão apresentada pelo atual representante de Erenilton.

A controvérsia agora é discutida em um processo que tramita em Lauro de Freitas, no qual são cobrados os valores que a defesa do lavrador entende serem devidos.

“Eu tô pedindo o que é dele. Não estou nem discutindo o honorário. Só quero o que é de direito dele”, afirma Leite Matos Júnior.

Caberá à Justiça analisar os documentos, movimentações financeiras e argumentos apresentados pelas partes para estabelecer se existe valor pendente de repasse e, em caso positivo, qual seria o montante devido.

CASO TAMBÉM CHEGOU À POLÍCIA CIVIL

Além da discussão judicial, o caso foi levado ao conhecimento da Polícia Civil.

Segundo informações atribuídas ao delegado Luís Cláudio, o procedimento passou inicialmente pela 5ª Delegacia Territorial (DT) e posteriormente foi encaminhado para a 29ª DT.

De acordo com o delegado, Mateus Nogueira deverá ser intimado para prestar esclarecimentos sobre os fatos relatados.

A apuração deverá reunir documentos, depoimentos e outros elementos considerados necessários para esclarecer as circunstâncias do caso.

A existência de procedimento policial ou de intimação para prestar esclarecimentos não significa reconhecimento de crime ou de responsabilidade do profissional citado. Os fatos ainda serão apurados pelas autoridades competentes.

ADVOGADO NEGA AS ACUSAÇÕES

Procurado pelo Alô Juca, o advogado Mateus Nogueira negou as acusações apresentadas pelo lavrador.

Até a publicação desta reportagem, considerando as informações disponibilizadas à equipe, não havia decisão definitiva estabelecendo eventual responsabilidade criminal do advogado pelos fatos narrados.

O espaço permanece aberto para que Mateus Nogueira apresente sua versão detalhada sobre o caso, inclusive documentos, comprovantes ou esclarecimentos relacionados aos valores questionados.

Eventuais novas manifestações das partes poderão ser acrescentadas à cobertura.

Enquanto Justiça e Polícia Civil analisam a controvérsia, a preocupação mais urgente da família está dentro de casa: segundo os familiares, Ana Maria continua aguardando uma solução para realizar o tratamento dos olhos e tentar recuperar a visão.

 


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