Mutirão oftalmológico na Bahia é investigado após pacientes perderem visão
Por Redação
03/04/2026 às 12:24

Foto: Foto: Reprodução
Após um mês do caso Clivan em Salvador, um novo caso é registrado na Bahia. Um mutirão oftalmológico realizado em uma clínica privada no município de Irecê, no norte da Bahia, está sendo alvo de denúncias após pacientes relatarem complicações graves. Pelo menos 24 pessoas afirmam ter perdido a visão depois de passarem por procedimentos realizados durante o mutirão oftalmológico.
Os atendimentos ocorreram entre os dias 28 de fevereiro e 1º de março, no Centro Médico e Odontológico (Hospital Ceom), localizado na região central da cidade. As intervenções foram feitas por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).
Em entrevista ao Aratu On, o advogado Joviniano Dourado Lopes Neto, que representa 11 pacientes, informou que sete perderam a visão de um dos olhos, enquanto quatro evoluíram para perda total em ambos.
"Todas são unânimes em relatar dores intensas de cabeça e nos olhos, além de apresentarem quadro de depressão e profundo abalo psicológico, em decorrência das graves consequências vivenciadas, sem prejuízo da existência de outros pacientes atingidos que não integram este grupo específico", afirmou.
Na última terça-feira (31), um idoso de 72 anos, identificado como Gilberto Pereira Pontes, faleceu. "Ele é um dos pacientes que passou pelo mutirão. Os exames mais recentes apontam fortes indícios de que o óbito tenha sido decorrente de infecção bacteriana possivelmente relacionada ao procedimento realizado", disse o advogado.
No entanto, a defesa informou que aguarda a emissão do atestado de óbito, que deverá confirmar oficialmente a causa da morte.
O Aratu On entrou em contato com a assessoria do Ceom para obter mais detalhes sobre o caso e aguarda retorno.
Caso Clivan
Após mais de um mês, segue sob investigação, a situação de um mutirão de cirurgias de catarata, realizado, em Salvador, que ocasionou perda de visão em 13 pessoas. Os procedimentos foram feitos, no último dia 26 de fevereiro e depois das ocorrências, 15 denúncias foram registradas na Delegacia Especial de Atendimento ao Idoso (Deati) contra a Clivan, clínica responsável pelos procedimentos.
Segundo informações da Polícia Civil, a unidade continua com diligências investigativas para apurar os casos de lesão corporal culposa. As vítimas que formalizaram o registro, já foram ouvidas pela especializada e depoimentos a fim de esclarecer as circunstâncias das ocorrências estão em andamento.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), informou que a pasta segue acompanhando os pacientes submetidos ao mutirão. Ao todo, 26 pacientes permanecem em acompanhamento pela rede pública de saúde, sem previsão de alta neste momento.
A idosa Maria Ribeiro Brito, 72 anos, é uma das pessoas que passa pela situação e corre sério risco de perder a visão de um dos olhos. Em contato com a nossa reportagem, a filha dela, Eroniles Brito, relaotou que, recentemente, ela passou por uma cirurgia de vitrectomia, para retirada de líquido infeccionado do olho e fez também correção da retina.
"Estamos lutando para manter o olho dela na face, pois segundo os médicos será muito difícil voltar a enxergar", lamentou.
A advogada criminalista, Eveline Santos, defende os interesses de um paciente, vítima desse mutirão. além de outros dois que realizaram procedimentos, também na Clivan, em outra ocasião. "O do mutirão de fevereiro perdeu o olho e os outros dois perderam a visão, sem perda do globo ocular", comentou.
Segundo ela, a defesa está realizando perícias privadas com um assistente técnico para fundamentar a argumentação. "Nosso perito está produzindo os pareceres instrutórios apontando os erros", disse sem querer aprofundar detalhes.
Aratu On
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