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Investigados por desvio milionário faturam mais de R$ 321 milhões nas gestões de ACM Neto e Bruno Reis

Investigados por desvio milionário faturam mais de R$ 321 milhões nas gestões de ACM Neto e Bruno Reis

Por Redação

14/07/2026 às 13:41

Atualizado em 14/07/2026 às 13:42

Imagem de Investigados por desvio milionário faturam mais de R$ 321 milhões nas gestões de ACM Neto e Bruno Reis

A operação do Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) que mira aliados de ACM Neto, como o secretário Luciano Sandes e o vereador George Gordinho da Favela, revela um esquema criminoso que atua há mais de dez anos desviando dinheiro público em contratos nebulosos da gestão municipal. O grupo de cinco empresas investigadas teve faturamento milionário a partir de 2015, quando ACM Neto era prefeito, e manteve os contratos durante a gestão de Bruno Reis. Levantamento indica que os investigados faturaram mais de R$ 321 milhões prestando serviços para secretarias do município e para o gabinete do prefeito.

Na segunda-feira (13), o MP-BA realizou busca e apreensão em endereços ligados a Luciano Sandes, ao vereador e a empresários. O Tribunal da Justiça da Bahia (TJ–BA) determinou que Sandes deixe de ocupar qualquer cargo público para que as investigações não sejam comprometidas. As medidas evidenciam a gravidade das apurações e expõem um caso concreto de corrupção dentro da gestão municipal, apresentada por ACM Neto como sua única vitrine.

O esquema que desviou milhões era composto por núcleos político, administrativo e empresarial, inclusive com servidores da Prefeitura Municipal para garantir pagamentos irregulares, de acordo com o Ministério Público da Bahia. No núcleo político, o secretário Luciano Sandes e o vereador George Gordinho da Favela são apontados como agentes responsáveis por conferir sustentação institucional ao esquema dentro da Prefeitura de Salvador, influenciando decisões administrativas e a execução de contratos.

Já o núcleo empresarial seria formado por cinco empresas: G3 Polaris Serviços, MP2 Construções, LN Distribuidora e Comércio, Podium Distribuidora e WLSP Logística e Transportes. Elas atuariam de forma coordenada, sendo utilizadas alternadamente em licitações para criar aparência de legalidade em contratos previamente direcionados. O MP-BA sustenta que as empresas compartilham estrutura operacional, recursos e interesses comuns, funcionando como um único grupo econômico.

Faturamento milionário

O esquema criado para desviar recursos públicos reúne empresas que, juntas, faturaram mais de R$ 321 milhões em contratos com a Prefeitura de Salvador entre 2015 e julho de 2026, nas gestões de ACM Neto e Bruno Reis, prestando serviços para secretarias e para o Gabinete do Prefeito.

Apenas a empresa G3 Polaris Serviços, que teve um de seus representantes alvo da operação do MP-BA, recebeu R$ 124,8 milhões. Após faturar menos de R$ 1 milhão no primeiro ano de contratos, a empresa ultrapassou a marca de R$ 25 milhões em 2022 e, apenas neste ano, já garantiu mais de R$ 8,8 milhões. Os dados são do Portal da Transparência do município.

A Podium Distribuidora, que manteve contratos com áreas como Saúde, Manutenção e o Gabinete do Prefeito, acumulou R$ 85,5 milhões em contratos desde 2015. A empresa prestou serviço diretamente ao gabinete de ACM Neto em 2018, quando ele era prefeito de Salvador.

Também investigadas, a LN Distribuidora e Comércio recebeu R$ 45,4 milhões, a MP2 Construções R$ 27,7 milhões e a WLSP Logística e Transportes R$ 37,6 milhões em contratos com a Prefeitura de Salvador. Segundo o Ministério Público, uma das sócias da MP2 é apontada como suposta testa de ferro do grupo. Mesmo após o avanço das investigações, a empresa já firmou R$ 1,68 milhão em contratos neste ano.

Entenda a investigação

O núcleo empresarial do esquema seria comandado por Lázaro de Carvalho Nunes, Caroline Xavier da Cruz, Jandson de Carvalho Nunes e Ivan Rodrigo Ferreira de Almeida, apontados como os reais gestores do conglomerado formado pelas cinco empresas.

A Justiça aponta que a G3 Polaris teria sido beneficiada em licitações da Seman, enquanto a MP2 Construções aparece em contratos sob suspeita e teria utilizado documentos emitidos por empresas do mesmo grupo econômico para participar de certames. Já a LN Distribuidora, a Podium Distribuidora e a WLSP Logística são descritas pelo Ministério Público como empresas que compartilham estruturas e recursos, sendo utilizadas conforme a conveniência das licitações.

O MP também afirma que Camilla Ribeiro Cruz Barreto Costa Ferreira e Daniel Pinheiro de Morais atuariam como "testas de ferro", enquanto Enison Oliveira Pinto, subordinado a Lázaro, exerceria a gerência operacional do grupo e faria a ponte financeira entre as empresas e os agentes públicos.

Quem é Luciano Sandes e sua relação com ACM Neto

Homem de confiança de ACM Neto, Luciano Sandes ocupa cargos estratégicos na Prefeitura de Salvador há mais de uma década. Durante a gestão do ex-prefeito, comandou áreas ligadas à manutenção da cidade e à infraestrutura, sendo diretor de Manutenção da Secretaria Municipal de Manutenção da Cidade entre 2013 e 2020 e secretário de Infraestrutura nos últimos meses da administração de ACM Neto.

Com a eleição de Bruno Reis, foi mantido no primeiro escalão, assumindo a Secretaria Municipal de Manutenção da Cidade e, desde 2023, a Secretaria de Articulação Comunitária e Prefeituras-Bairro, cargo do qual foi afastado por decisão judicial no âmbito da investigação do Ministério Público da Bahia.

Quanto cada empresa faturou entre 2015 e 2026

G3 Polaris: R$ 124.839.733,73

Podium Distribuidora: R$ 85.496.159,40

LN Distribuidora e Comércio: R$ 45.402.729,70

WLSP Logística e Transportes: R$ 37.673.075,97

MP2 Construções: R$ 27.751.575,09

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